quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ser ou não ser, gostar ou não gostar.

Imaginem que estão a ver o Hi5 dum paneleiro assumido. Na secção das fotos podem vê-lo despido em várias poses sexualmente provocantes. Mas de repente há uma foto em que ele surge com uma vagina de borracha, dessas que se vendem nas sex shops (segundo ouvi dizer). Vocês acham credível um gay gostar de vaginas, ainda que de borracha ?
Ok, isto foi uma suposição. Agora vamos aos factos:
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O Barradas, soube ontem, possui uma página no Hi5 onde se faz passar por mulher lésbica. Naturalmente tem montes de amizades com outras lésbicas.
Tendo eu, por mero acaso, descoberto a password do Hi5 do Barradas (12345) decidi dar uma vista de olhos pelas fotos das suas amigas.
E é justamente aqui que bate o ponto: uma dessas amigas do Barradas apresenta no Hi5 dela uma colecção de fotos verdadeiramente interessante. Mas numa das fotos ela aparece a enfiar um vibrador na vagina. Fiquei na dúvida: será realmente lésbica ?
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Portanto, se entre as muitas pessoas que visitam este blog, houver alguma lésbica que queira dar a sua opinião a propósito desta minha dúvida (gostam as lésbicas de caralhos ?), desde já agradeço.
Relativamente à primeira questão, a dos gays poderem gostar de cona, percebo que seja mais difícil obter resposta, na medida em que este blog não é visitado por paneleiros e eu, na vida real, não tenho amigos desses.
O que tenho são alguns amigos benfiquistas, que é o mais parecido. Saberão eles responder ?

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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A verdade, essa puta

A verdade, triste e crua, é que nós, os portugueses, lidamos cada vez mais de forma errada com a verdade. Vivemos obcecados por ela, a ponto de hoje a maioria de nós preferir uma verdade estúpida a uma mentira inteligente. Por exemplo, outro dia um amigo meu (vamos chamar-lhe B.) chegou-se à beira da esposa anunciando-lhe que tinha uma amante e pretendia divorciar-se. Quando me contaram isto, nem queria creditar. O gajo em vez de ter comido a fulana e ficado bem caladinho, teve de revelar a dolorosa verdade, como se a mentira o matasse. Fiquei desiludido. Como era possível ter tido tantos anos, como amigo, tão grande totó?
Mais tarde, a verdade dos factos mostrou-se diferente. Afinal, o B. tinha sido, isso sim, apanhado em flagrante a comer, não uma, mas duas gajas no próprio leito conjugal. Enchi-me de orgulho em ter um amigo destes, peguei no telemóvel e liguei a dar-lhe os parabéns.
É claro que o B. foi estúpido porque deixou-se apanhar. Toda a gente sabe que é perigoso e que não se deve praticar sexo em casa. Se não ensinam esta importante verdade na escola aos jovens, no mínimo devia ser obrigatório passar uma legenda na televisão quando dão filmes com cenas de sexo a avisar para não se imitar aquilo em casa, como fazem quando mostram cenas perigosas praticadas por duplos do cinema.
O que as pessoas julgam ser sexo comum praticado em casa, na verdade é o mero cumprimento dum contrato matrimonial, naquele ponto muito específico que na prática se traduz em a esposa abrir as pernas para que o marido a penetre nas noites de sábado, numa fracção de tempo que varia entre os 3 e os 15 minutos, conforme a idade. E nada mais.
A razão pela qual as pessoas casadas ou comprometidas "pulam a cerca" é que o sexo, quando praticado de forma ilegal, imoral ou simplesmente condenado pela igreja, sabe muito melhor. É como comer fora de casa e experimentar um prato novo, em vez da pizza congelada aquecida no microondas. Claro que o prazer resultante, duma eventual "facadinha no matrimónio" varia proporcionalmente à capacidade da pessoa em conviver com esse pequeno embuste, eis o preço que se paga. Aquele que não tiver estômago para tal, que fique quieto. Quem seja escravo da verdade e der cabo do arranjinho ou mesmo do próprio casamento, indo confessar à cara-metade a cruel verdade de que lhe pôs os cornos, merece uma boa dose de sofrimento. É o mal dos tempos modernos porque isto nem sempre foi assim, antigamente era aceite e pacífico que além da esposa o marido podia ter uma ou várias amantes. Mas hoje, fruto das manobras do "tal Lobby", a verdade é que tem de prevalecer.
Para os portugueses deixou de haver margem para o sonho e para a fé. Não acreditamos em nada senão na verdade. No século XX, três pastorinhos afirmaram que viram uma senhora muito brilhante a voar e o país inteiro acreditou; hoje um gajo diz que é Engenheiro e há logo uma série de tipos que duvidam firmemente.
A verdade tiraniza-nos, essa é que é a verdade. De todos lados nos pressionam com doses brutais de verdade: ele é o falar verdade, a verdade desportiva, o cinema verdade, a verdade do toureio. Bolas, que tanta verdade até parece mentira.
Vocês acham que a mim me interessa a verdade dos penaltis que o Lucílio marca ? 7 milhões de portugueses querem é que o Benfica ganhe, o resto é treta. Que se lixe a verdade desportiva e a verdade dos défices orçamentais. Eu quero é vitórias.
Vocês acham que se fosse a verdade, jornalistas, cineastas, políticos e mágicos governavam a vida ?
Para já não falar nas putas. Vai uma na rua com mamas de silicone e dizem vocês, eh pá, não são verdadeiras não prestam. É que dizem mesmo.
No fundo, as mulheres, todas elas, são é muito espertas. De nós, homens, exigem a verdade e vai-se a ver, elas são mamas falsas, unhas falsas, loiras falsas, orgasmos falsos, tudo falso, tudo mentira.
(...)
Mas por mim que se lixe a verdade, eu amo as mulheres de qualquer maneira, mesmo que me mintam É como diz o outro: engana-me que eu gosto.

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domingo, 19 de julho de 2009

Barradas, o Virgem

A dúvida atormentava o jovem Barradas. No dia da ida à inspecção militar a Coimbra, o mancebo aproveitou para ir às putas e finalmente perder a virgindade. Confessou mais tarde, aos amigos, que após três breves bombadas o caralho saltou para fora. E foi justamente nesse momento, sem conseguir voltar a enfiá-lo, que ele inevitavelmente se esporrou.
Disse-lhe que sossegasse. Apesar de tudo a tentativa era válida e portanto, não era mais virgem. Mas Barradas não se deixava convencer e a dúvida persistia.
Os meses foram passando e a questão, em vez de serenar, agitava cada vez mais o nosso amigo. Chegou-se a um ponto em que já não conseguiamos aturá-lo e decidimos adoptar medidas extremas.
Lembrámo-nos duma moça cá da terra, a Geninha, que tinha reputação de ser maluca por homens. Mas parecia ser mais a fama do que o proveito, porque quando lhe fizemos a conversa a fim de saber se haveria hipótese de ela estar disposta a desonrar o Barradas, a rapariga ficou completamente transtornada e ofendida connosco.
-Então e se fosse a pagar? – Perguntei, para ver se a acalmava. Mas nem isso a fez mudar de ideias. Pareceu-me até, que ficou ainda mais irritada.
O desespero do Barradas era tanto que nem tivémos coragem de lhe contar a verdade. “Ficou de pensar. Tem calma que a Genhinha ficou de pensar no teu caso...”
Entretanto, os irmãos Aparício souberam do nosso problema e vieram ter connosco.
- A Geninha é nossa prima e pediu para a gente vir cá dar-vos um arraial de porrada, por causa do que vocês lhe foram pedir. – Comecei a imaginar-me nas urgências do hospital. De repente, lembrei-me duma coisa:
- Então e eu? Também sou vosso primo...
Eles riram-se. “Ó cabronada, acharam mesmo que a gente vinha cá bater-vos? Estávamos no gozo”. E eu, já mais sossegado, quis saber se a Geninha se tinha mesmo queixado. E eles, “não. O que ela disse, foi que estava arrependida de ter reagido mal, quando foram falar com ela. Mas que, por acaso, até tinha interesse em foder com o Barradas”. E nós, surpreendidos, “a sério?”.
- Olhem, é assim: para a semana os pais da Geninha vão numa excursão à Serra da Estrela e até dormem lá. De maneira que ela, nesse fim-de-semana fica sozinha em casa e mandou dizer que se o Barradas quiser que vá ter a casa dela, no Sábado, às 10 da noite e que leve camisas de vénus porque é para foder.
Mas o Barradas não engoliu a história, “isso é mentira, ela também vai na excursão.”
E os Aparícios insistiram que não, que a Geninha ficava.
Para resolver o impasse e dar confiança ao Barradas, ofereci-me para averiguar a situação e combinar melhor o encontro sexual com a Geninha.
Os Aparícios eram os mensageiros dela e eu o representante do Barradas. No Sábado à noite já estava tudo devidamente combinado. Por volta das 9 e meia, à porta do café do Mocho, dei as últimas instruções ao Barradas, “portanto vê lá se percebeste tudo e não fazes merda: a porta da rua tem as chaves por fora. Abres a porta, tiras as chaves e entras. Colocas as chaves na fechadura, mas pelo lado de dentro. Atenção que não podes acender as luzes”. E o Barradas, “como é que eu vejo?”. Não te preocupes, a claridade da Lua alumia pelas janelas. Presta atenção: vais às escuras pelo corredor e entras no quarto da Geninha, que é logo o primeiro à direita. Percebeste? Primeira porta à direita. Entras no quarto da Geninha que ela, porque é muito tímida, há-de estar na cama, já deitada, à tua espera. Tu chegas e enfias-te na cama ao pé dela. Não te esqueças que tens de lá estar às 10 horas em ponto e em caso nenhum podes acender a luz. Percebeste? O Barradas fez que sim com a cabeça. Dei-lhe duas palmadinhas nas costas. Porreiro pá, então adeus.
Eu e o Muralha começámos a andar. E o Barradas, “Eh! Onde é que vocês vão?”. E nós, vamos embora. O Muralha tem que ir entregar umas cassetes ao video clube. E tu, daqui a 15 minutos tens que estar na casa da Geninha, onde irás matar de vez a tua virgindade. E o Muralha, “aproveita que ainda tens uns minutos, bebe um copo para ganhar coragem”. E eu reforcei, “ às 10 horas já sabes o que tens a fazer. Adeus”.
Virámos a esquina, entrámos no meu Ford Escort e fomos embora.

A casa dos pais da Geninha é uma vivenda que fica isolada do resto das casas cá da terra. Deixámos o Ford estacionado nas traseiras da casa. Um dos Aparícios abriu a porta. Então o Barradas acreditou?
- Ele aparece. – Respondi.
- Pois, mas eu é que não vou enfiar-me naquela cama. – Garantiu Vítor.
Mostrei-me lixado. Porra, não vais como? E ele, estive a pensar melhor e não quero deitar-me com o Barradas.
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(continua quando me apetecer escrever o resto)

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

O ladrão de Livros

A Fronteira do Caos Editores e o autor convidam Vossa Excelência para a sessão de lançamento do livro, O Ladrão de Livros da autoria de Carlos J. Barros, a ter lugar no próximo dia 25 de Abril pelas 18 horas, na Livraria Alêtheia. A apresentação pública do livro será da responsabilidade de Paulino Coelho.


Eu - Barradas, não podes ir ao lançamento do livro do Carlos.
Ele - Mas porquê ? Aposto que há comes e bebes à borliú.
Eu - Não insistas.
Ele - E a gaja da capa, tu já a viste ?
Eu - Sim, é gira. Mas trata-se dum modelo, não vai lá estar.
Ele - Não percebo. Se não é para comer à pala, nem sacar gajas, então para que serve o lançamento dum livro ?
Eu - É uma espécie de lançamento do peso, mas com livros. Serve para ver quem lança mais longe.
Ele - Isso é mentira. Trata-se dum convívio, tu só não vais porque a Mekinha não te deixa e depois tens ciúmes que eu vá.
Eu - Não vou porque aquilo não é ambiente para nós. Vão lá estar intelectuais e gajos a falar do livro. É pior que ir à missa, em dois minutos iamos estar a dormir na cadeira. E olha que tu ressonas.
Ele - Na volta é um livro interessante, do que é que fala ?
Eu - Não li, mas parece que o Carlos, na juventude, andava no gamanço de livros.
Ele - No gamanço andavas tu, meu cabrão. Se não leste o livro não sabes. Aposto que nem sequer conheces o rapaz.
Eu - Agora é que acertaste. Realmente nunca o vi, nem mais gordo, nem mais magro.
Ele - Então ? Mais uma razão para irmos lá. Se a gente der barraca ninguém nos conhece, não precisas de dizer que és o Bino. Aposto que há comida, nem que seja uns salgadinhos.
Eu - Barradas, tu não tens nível intelectual para ir àquilo. Eu próprio quase não percebo nada do que o gajo escreve.
Ele - Escreve em estrangeiro ?
Eu - Em português. Mas é assim duma forma sensível, que parece poesia, só que escrito em prosa. Percebes ?
Ele - Não.
Eu - Pois, eu também não.
Ele - Mas ele escreve de forma sensível como ?
Eu - Oh pá, escreve... sei lá... escreve quase como se fosse uma gaja.
Ele - Será que é uma gaja ? Afinal, não o conheces.
Eu - Já vi fotografias, é um gajo. Mas é um gajo que escreve com sensibilidade poética.
Ele - Quero ir ao lançamento, preciso duma dose de sensibilidade. A minha Maria está sempre a dizer-me que sou um machista insensível.
Eu - Não podes.
Ele - Porquê ?
Eu - A sensibilidade num degenerado como tu pode ter efeitos colaterais perigosos. Chegavas a casa e ainda pedias à Maria que te enfiasse um dedo no cu.
Ele - Portanto, não vamos.
Eu - Exacto ! Não vais.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Não fomos ao Lux

Sábado, assim tipo 11 e tal da noite, deixei a Mekinha em casa a tomar conta das filhotas e dirigi-me no meu Opel até casa do Barradas. Ele e a mulher têm uma playstation onde cantam Karaoke. Também cantei, mas é claro que levei uma tareia do Barradas e fiquei desconfiado que há-de passar os dias agarrado ao microfone a treinar. Uma colega de trabalho da mulher dele que também estava presente, chamada Vânia, tentou igualmente o karaoke. Deu show. Não que tivesse cantado bem, mas enquanto cantava dançou de maneira tão sensual que nos deixou, a mim e ao Barradas, a salivar da boca.
Atenção ! Quando digo que ela dançou sensualmente, bem, vocês não conhecem a Vânia. Imaginem a Ana Malhoa no seu melhor e a seguir multipliquem a parte do melhor várias vezes: eis a Vânia.
E foi com a imagem da Vânia a cantar Shakira, que eu e o Barradas nos pirámos da casa (mulher) dele e metemos no carro com destino a uma noite de aventura.
Começámos por ir buscar umas amigas do Barradas, que não conhecia, a Setúbal para sairem connosco. Chegámos à cidade do Sado, fomos para os lados da Fonte Nova. O Barradas, assim que estacionei frente à casa delas, ripou do telemóvel para avisar que descessem.
Ficámos no carro à espera. Quando apareceram constatei que eram três e, à medida que caminhavam em direcção a nós, percebi que eram material de alto nível. O cabrão do Barradas tinha-se esmerado na companhia.
Feitas as apresentações, o Barradas tratou de se instalar no banco de trás com duas delas, enquanto a outra não teve outro remédio senão sentar-se ao meu lado. A modos que para dar logo a entender quem é que ia foder com quem.
Começámos por ir para os lados do Feijó, a um bar onde se fuma narguilé. Sentámo-nos na cave, nuns bancos baixinhos e chamámos o empregado. Além do inevitável Licor Beirão para beber, resolvemos experimentar o narguilé versão afrodisíaca.
Enquanto o cachimbo não chegava, fiquei a saber que as nossas amigas eram brasileiras de Minas Gerais.
Confesso que me esqueci dos nomes delas, mas recordo-me que duas eram massagistas e a terceira manicure. Senti alguma dificuldade por parte do Barradas em explicar como é que as tinha conhecido, mas o assunto morreu porque entretanto chegou o cachimbo e dedicámo-nos a mamar no bucal.
O sabor era doce, agradável até, mas fiquei com dúvidas acerca do seu efeito afrodísiaco. Sinceramente, acho que não resultou. Mas pronto, sempre deu para estarmos ali coisa de uma hora entretidos a conversar sobre assuntos banais, tais como sexo em grupo, swing ( troca de casais), bondage, etc.
Entretanto as nossas amigas, sem razão aparente, resolveram começar a beijar-se na boca entre elas, numa espécie de show lésbico. Eu e o Barradas fartámo-nos de rir com a cena. E foi num ambiente descontraído que deixámos o bar rumo às docas em Álcantara.
Porém, nas docas demorámos pouco, o Lux chamava por nós. Ao passarmos pelo Terreiro do Paço, por ter havido nesse dia uma manifestação de professores o trânsito ainda estava cortado, o que dificultava a passagem pelo local. Quando finalmente chegámos ao Lux, havia imensos putos para entrar, numa bicha imensa. Assim não dava. Passámos com o carro por debaixo duma especie de túnel e seguimos em frente, para dentro da zona portuária. Parámos para mijar mesmo junto a um paquete que ali estava atracado e resolvemos bazar para o Kaxaça.
Através da Vasco chegámos rapidamente ao Montijo. A discoteca estava cheia, com um ambiente espactacular. Dançámos toda a noite, quase até cair.
Às 6 e meia da manhã deixámos o local, já clareava o dia. Entre as duas rotundas junto ao Fórum Montijo, a BT da GNR mandava parar todos os automóveis para fazer o teste do álcool. Também fui ao balão, claro. Mas não acusei nada, ahahahahah.
Já na auto-estrada, comecei a pensar na forma como haveríamos, eu e o Barradas, de conseguir papar as brasileiras. Acabados de passar às portagens de Setúbal, olho pelo espelho e verifico o meu amigo a beijar alternadamente as duas gajas lá atrás. Percebi que ía haver mambo.
Surpreendentemente, conforme íamos parando nos semáforos de Setúbal, comecei a olhar melhor para a brasileira que seguia ao meu lado adormecida. Afinal, às luz do dia não era assim tão gira como me pareceu inicialmente. Julguei até, que fosse mais nova. Calculei-lhe perto de trinta anos, mas agora parecia-me mais perto dos cinquenta. Notei-lhe as mamas descaídas, as rugas no rosto e, no geral, talvez pela roupa, um aspecto de puta barata. Aos poucos, sei lá porquê, comecei a lembrar-me da Mequinha e a sentir uma vontade quase irreprimível de correr para casa. A brasileira parecia-me, agora, simplesmente horrorosa. Subitamente oiço um uivo, olhei para trás e percebi que as brasileiras havia acabado de fazer um broche ao Barradas. O banco de trás do meu rico carrinho havia sido conspurcado pelos fluídos seminais daquele cabrão. Deu-me uma fúria, encostei o carro e pus todos na rua. Arranquei de novo, atravessei o traço contínuo e dei meia volta com destino a casa. Pelo retrovisor ainda pude ver o Barradas a correr de punho no ar atrás de mim. Parei. Fiz marcha atrás, ele abriu a porta e sentou-se ofegante, no banco ao meu lado. Arranquei novamente e só lhe disse, não voltas a esporrar-te em nenhum carro meu, percebeste ?

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terça-feira, 20 de maio de 2008

Os devaneios homossexuais do Barradas (parte 1 - contada na 1ª pessoa )

Acabado o sexo, fumávamos os dois um cigarro a meias. Na cama de casal do quarto dos meus pais repousavam os nossos corpos nus, encostados um ao outro, em suprema felicidade. De repente um ruído e o inesperado acontece, abre-se a porta do quarto e vejo os meus pais. Por um instante parece que o tempo pára, ficamos imóveis a olhar para eles e eles para nós .
Refaço-me da surpresa, salto da cama como uma mola e fico de pé. Envergonhado, encolho-me enquanto tapo o meu sexo com as mãos. O chão parece-me fugir debaixo dos pés. Os meus pais fazem cara de quem não acredita no que vêem. A minha mãe decide recuar para o corredor e desata num pranto lancinante. O meu pai decide fazer-se forte e entra no quarto onde o ar ainda tresanda a pecado. Paramos frente a frente, baixo os meus olhos incapaz de encarar os dele. Quase que não sentimos esgueirar-se por nós um vulto semi nu, saindo porta fora, com o resto das roupas numa mão e os sapatos na outra. A minha mãe solta um grito à sua passagem pelo corredor.
Finalmente o meu pai decide falar:
- Acabas de matar os teus pais de vergonha.
- Mas Paizinho... Não é o que estão a pensar.
- Não ? Então diz-me: qual o sexo daquela criatura com quem estavas na cama ?
- Era... era um homem. - O meu pai repete-me com desprezo:
- Um homem, tu tens a lata de dizer que estavas com um homem...
- Paizinho, ok, eu menti, quero pedir desculpa por não vos ter esclarecido acerca da minha verdadeira opção sexual.
- Agora é tarde, filho. Eu e a mãe já estávamos desconfiados com as tuas tendências. Não queríamos acreditar, mas agora tivemos a prova. Estavas com uma mulher.
- Sim, confesso que menti. Na verdade, não sou gay ! Sim, eu estava a comer uma gaja.
- Como foste capaz de esconder-nos a tuas verdadeiras tendências durante todo este tempo ? Então e as manifestações de orgulho gay em que participaste ?
- Tudo tanga, Pai. As fotografias que vos mostrava eram falsas. Na realidade eu agarrava no dinheiro que vocês me davam para as passagens e esturrava tudo em putas e copos com os amigos.
- E a tua carreira política, filho ? Nós sonhávamos que um dia serias eleito Presidente da Câmara. Talvez líder do partido, quem sabe até 1º Ministro. Político Gay assumido agora é moda, eleição praticamente garantida, tu sabes disso. Vais desperdiçar todo esse capital político ?
- Lamento, mas não posso esconder por mais tempo, eu só quero é gajas. Que se lixe a política.
- Mas porquê filho ? Porque mentiste ?
- Ora Paizinho, consegue imaginar a quantidade de malucas que eu comi à pala de passar por paneleiro, todas a quererem fazer de mim um homem macho ?

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sexta-feira, 28 de março de 2008

Fam-Fam e os homens.

Não se pode dizer que Fam-Fam fosse uma mulher fácil, o que tinha era azar com os homens. A irmã de Barradas e Muralha, casou-se aos 19 anos com Carlos, mas o fulano veio a revelar-se um desgraçado. Era preguiçoso, drogado e bêbado.
Farta de o aturar, Fam-Fam pensava seriamente em divorciar-se quando um dia, Carlos foi encontrado morto, vítima de overdose.
Fam-Fam não desistiu de buscar a felicidade e voltou a casar-se. O novo marido chamava-se Cláudio e dizem as pessoas que era tão inteligente quanto depressivo. Coitado do rapaz suicidou-se precisamente no dia em que faziam 1 ano de casados.
Mas porque a vida é mesmo assim, Fam-Fam, uma mulher de garra, voltou a casar-se pela terceira vez.
Francisco, o terceiro marido de Fam-Fam, era um tipo que Barradas e Muralha achavam estranho ou mesmo esquisito. Havia noites que as passava fora de casa, mas Fam-Fam não se queixava.
Tudo corria dentro duma certa normalidade, excepto aquela vez em que Francisco bateu em Fam-Fam. Mas "nada demais", um olho negro e umas quantas escoriações, tudo porque Fam-Fam tinha-se esquecido de transmitir ao marido um recado dum amigo que tinha telefonado.
De resto, Francisco só bateu uma vez na mulher. No dia seguinte, Barradas e Muralha foram lá a casa pedir explicações ao cunhado e tudo ficou bem.
Quero dizer, tudo teria ficado bem se após uma breve breve conversa, Francisco não tivesse escorregado e caído em cima da mesa da sala, que por acaso era daquelas com tampo de vidro.
Parece que Barradas e Muralha ainda tentaram ajudar Francisco, cada um segurando num dos seus braços, mas mesmo assim não conseguiram evitar a queda. E como um azar nunca vem só, parece que Francisco também terá escorregado nas escadas do prédio onde morava com Fam-Fam, quando já ia a caminho do Hospital, levado em ombros pelos cunhados. Diz-se que rebolou literalmente desde o 2º andar até ao rés-do-chão, sem que Barradas e Muralha tivessem conseguido evitá-lo.
Ainda Francisco não tinha recuperado das várias fracturas ósseas então sofridas, mal conseguiu levantar-se da cama tratou em separar-se de Fam-Fam. Mas foi generoso com a esposa, por sugestão dos cunhados, deu-lhe o divócio e todos os bens que eram do casal, incluindo a casa. Foi visto pela última vez no aeroporto da Portela de partida para a Austrália.
Depois de Francisco, Fam-Fam vive agora em união de facto com John, mas cujo verdadeiro nome é Jane. Infelizmente, esta fufa irlandesa que tinha quase tudo para fazer a felicidade de Fam-Fam, bebe mais cerveja que os bêbados e nunca ajuda em casa.
Mas ao menos agora Fam-Fam deixou de ter azar com os homens.


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sábado, 1 de setembro de 2007

(Continuação do post anterior) - 4 ª Parte

Se deveriam alertar o Cabrita? Eis a pergunta que os irmãos Aparício fizeram a si próprios.
Pensaram. Olharam-se por breves segundos. Fizeram cara de achar que sim. Mas de repente, um esgar, um sorriso velhaco e o soltar dum uníssono “nahhhhh”.
Foram-se embora, deixando Cabrita entregue à sua sorte.
Passado um minuto, o marido de Stephanie abriu a porta da roulotte.
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O grande Antero (nome artístico) tinha um passado envolto em pormenores mal revelados.
Não havia a certeza de realmente ser espanhol. Ao certo, sabia-se que trabalhara num circo em França onde conheceu Stephanie. Consta que o pai dela, desgostoso com o casamento da filha, se terá suicidado. Mas Tito de La Lomba sabia que não era verdade. Numa noite de copos, Antero confidenciou-lhe que o sogro tinha morrido subitamente na cama com uma puta durante um “69” (ironicamente, o Pai de Stephanie era conhecido por "Estêvão das matemáticas").
Mas o facto da sua morte ter sido acidental, não significa que Estêvão não tivesse tido um grande desgosto com o casamento da filha. Realmente a todos pareceu estranho que Stephanie, uma mulher tão bela, tivesse tomado Antero por consorte. E não pelo facto de este ser um inveterado mulherengo, mas porque realmente era um homem muito feio (independentemente de ser anão).
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(Continua... pois, que remédio)
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terça-feira, 21 de agosto de 2007

(continuação do post anterior)

A história dos meus amigos - Parte 2
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A contorcionista francesa que ingressou no Romagnoli em 1976, era artisticamente conhecida por Stephanie, embora o seu verdadeiro nome fosse Natércia e, de facto, tivesse nascido em Alcochete.
Não obstante, Stephanie insistia em exprimir-se na língua de Alexandre Dumas e gostava de se apresentar na condição de estrela internacional gaulesa.
O talento de Stephanie, contudo, era medíocre. O seu sucesso na arte circense baseava-se sobretudo numa aparência física excepcional, composta por um corpo de sonho (que só dava vontade de comer) e um rosto incrivelmente belo, cuja boca só apetecia beijar (ou pior).
E era graças a essa beleza corporal de Stephanie, maximizada por um bikini minúsculo, que um número de contorcionismo perfeitamente banal se transformava num espectáculo soberbo, particularmente interessante pela sua sensualidade. *1
Stephanie era uma artista excepcionalmente bem remunerada. A forma como decorreu a negociação do seu contrato com Cabrita, ainda hoje permanece nos anais da história do circo Romagnoli, como símbolo de firmeza e engenho negocial.
Reza a lenda que, após uma longa série de reuniões no gabinete de Cabrita, as partes não conseguiam entender-se relativamente aos valores a receber por Stephanie. A francesa queria mais, mas Cabrita recusava-se, repetindo que não havia dinheiro. Então, disposta a jogar uma cartada decisiva, Stephanie convidou Cabrita para realizarem nova ronda negocial, mas desta vez só os dois, num ambiente mais íntimo, na roulotte da artista.
Ele, embora percebendo a marosca, corajosamente concordou. Stephanie achou que já o tinha no papo.
Mas Cabrita era muito hábil. Embora comparecendo no dia combinado, cumpriu a regra dos bons negociadores, chegando com cinquenta minutos de atraso e apenas para repetir o mesmo de sempre: que a companhia não tinha dinheiro que permitisse pagar mais.
Os Aparícios, naqueles dias, andavam também a negociar os valores da renovação do seu contrato e estavam muito interessados em saber qual a verba que Stephanie iria ganhar. A ideia era exigir ao Cabrita o suficiente para continuarem a ser os artistas mais bem pagos do Romagnoli e portanto, nunca menos do que Stephanie. Mas, por outro lado, também não queriam pedir um valor excessivo que ofendesse o Cabrita.
Dispostos a obter tão preciosa informação, decidiram espiar as negociações indo encostar-se ao exterior da roulotte, espreitando pela janela e tentando escutar a conversa entre Cabrita e Stephanie
No interior da roulote o tempo arrastava-se. Cabrita continuava irredutível. Stephanie, percebendo a firmeza do empresário, optou por fazer o que tinha planeado (lançar a bomba atómica). Pediu licença, retirou-se, e alguns segundos depois regressou praticamente nua.
A pretexto de querer mostrar uma novidade que pretendia introduzir no seu número, Stephanie havia-se livrado das roupas e trazia agora apenas um bikini escandaloso, em tons de leopardo, próprio das actuações em pista.
Era nítido que a contorcionista pretendia atingir o seu objectivo através do assédio sexual.
Permanecendo sentado, Cabrita tentou manter a fleuma, mas não tardou que o suor lhe alagasse toda a fronte. As dimensões reduzidas da roulotte obrigavam a que Stephanie, ao exibir-se, quase roçasse o corpo na sua cara.
Lá fora, face ao que assistiam, os Aparícios temeram pelo seu estatuto de artistas mais bem pagos da companhia. Interrogaram-se: conseguiria Cabrita resistir e continuar a dizer que não?
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(continua, quando as autoridades o permitirem e a mim me apetecer)
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*1- Digamos que era uma sensualidade muito apreciada pelo público masculino, que no final do número sempre aplaudia delirantemente (mas nunca de pé).

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segunda-feira, 30 de julho de 2007

A história dos meus amigos (Parte 1)

Domingos era um afamado enfermeiro cá da terra, cuja experiência em práticas curativas remonta aos tempos em que se iniciou como enfermeiro improvisado na Guiné, durante a guerra colonial.
Barradas, que é sobrinho do Domingos, quando era jovem, via no tio uma espécie de herói e modelo a quem imitava e seguia para onde quer que Domingos fosse. E Domingos ia para muito lado, porque naquele tempo, no exercício das suas funções, Domingos costumava acompanhar o grande Tito de La Lomba, fenomenal novilheiro português natural do Entroncamento.
Domingos prestava preciosos serviços de enfermagem a Tito, que muitas vezes (muitas mesmo) durante as suas actuações pelas arenas de Portugal e Espanha, sofria tremendas colhidas e cargas de porrada de animais com cornos, nomeadamente novilhos, touros e maridos de namoradas casadas.
No Inverno, época em que na península ibérica não se realizam touradas, Tito de la Lomba, ganhava a vida como amestrador de feras no circo Romagnoli,.
O Grandioso Circo Romagnoli, vivia naquela época os seus tempos áureos, desde que o Sr. Cabrita, brilhante empresário algarvio radicado em Vila Nova da Barquinha, o havia adquirido a Dom José Romagnoli, na condição de manter a empresa com o nome do seu fundador.
Da falência iminente ao apogeu, foi um curto espaço de tempo. Sob a direcção de Cabrita o Circo Romagnoli contava agora com algumas das figuras maiores da arte circense nacional. Havia uma família de trapezistas, os fabulosos irmãos Aparício, que por acaso até são meus primos e que disputavam com Tito de La Lomba, o lugar de principal figura do espectáculo.A rivalidade entre os Aparícios e Tito era imensa. Ambas as partes tentavam superar-se constantemente, apresentando números cada vez mais arrojados e perigosos. Mas a rivalidade ultrapassava o espectáculo na pista, pois um dos Aparícios, Luís, disputava ferozmente com Tito o coração (e os favores sexuais) de Stephanie, a contorcionista da companhia.

(Continua quando tiver paciência para contar o resto)

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