sábado, 25 de novembro de 2006

Provavelmente Barradas

Eu não penso só em sexo, também sou muito bom em estatística e probabilidades. Por exemplo, acabo de calcular mentalmente que todos os anos 60 mil portuguesas perdem a virgindade.
Mas isto não é nada. Ainda outro dia, eu e o Barradas íamos de carro, na estrada entre Minde e Fátima (tratar de assuntos da pedreira). Então, a certa altura o Barradas começa a dizer-me que este Natal vai visitar parentes à França, mas que andar de avião lhe está a meter medo.
Foda-se, um gajo que até já quis ser toureiro, com medo de voar ? Explicou-me que foi um susto apanhado na última vez que viajou e a partir daí fez uma jura que nunca mais voltava a voar.
Olha, disse-lhe eu, o avião é um meio de transporte seguríssimo.Todos os dias aviões da TAP levantam voo sem nenhuma espécie de problema.
Percebi que o Barradas estava a escutar-me e então resolvi jogar o meu argumento final. Disse-lhe com a máxima seriedade que habitualmente consigo fingir, “Barradas, meu amigo, considerando o ano de 2006, estatisticamente está provado que qualquer homem português viajando na TAP tem mais probabilidades de se tornar o novo namorado da Elsa Raposo do que morrer de acidente aéreo”.
Foi uma coisa dita, assim, com tal seriedade que até eu fiquei impressionado com a minha própria afirmação. O Barradas, ficou-se embasbacado a olhar para mim muito sério... e depois perguntou-me com a maior candura possivel:
- E quem é a Elsa Raposo ?
É nestes momentos que eu caio em mim e desesperadamente me lembro de que o Barradas não é um gajo culto como eu. Porque no meu caso, sou um gajo que sabe quem é quem e frequenta locais onde se pode ler à borla as revistas do coração. Por exemplo, enquanto espero na fila da caixa do hipermercado ( embora prefira as revistas de banda desenhada do Tio Patinhas).
Mas o Barradas é um caso perdido. Portanto, resolvi mudar a tática: rapaz, esquece a Elsa Raposo e esquece os desastres. Se queres saber, eu próprio nunca andei de avião. Mesmo quando estive emigrado na Suiça e na França, fui sempre de comboio ou camioneta. E quando fui trabalhar para a Holanda, até foi o meu irmão Bino quem lá foi levar-me no Táxi dele.
(Foi uma viagem pavorosa porque a gente perdeu-se muitas ocasiões. Atravessar Paris foi para esquecer e depois, na Bélgica, não sabiamos que as placas a dizer Nederlands, lá na língua deles, queriam dizer Holanda. E isto, é mesmo assim, um gajo não saber achar uma rua é normal, mas não conseguir encontrar um país inteiro, é mais esquisito).
Olha, foi uma viagem maravilhosa. Barradas, segue o meu conselho: pede ao meu irmão que ele leva-te à França de Táxi. É melhor e mais seguro que ir de avião.

(Com sorte, perdem-se os dois e deixam de me chatear os cornos).

1 Comentários:

Blogger mfc disse...

Não te rias...mas também tenho um cagaço dos diabos de voar!!
Mas por favor não me mandes de táxi ou não me mandes à... porque eu sei quem é ao menos a Elsa Raposo!

25/11/2006, 20:10:00  

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