quinta-feira, 10 de novembro de 2005

A verdadeira história de Bino contada na 1ª pessoa (mais ou menos como ela se passou).

Capítulo 1 – O início.
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Eu já tinha tido contacto com computadores. Comecei, como tantos outros, com um ZX Spectrum 48 K.
Mas o Manic Miner e outros jogos que tais, não me atraiam. O meu vício era a programação em basic e a construção dum programa que me ajudasse a acertar no totobola, mediante a eliminação de chaves estatisticamente inúteis.
Após o Zx, passei para um AT e a programar em clipper. Entretanto o meu universo povoou-se de curvas de Gauss, cálculo de probabilidades, operadores booleanos, números de Fibonacci e até o recurso ao precioso auxílio dum ensaio sobre estatística do meu antigo professor Soares Martinez.
O progresso continuou, adquiri um 386. Consegui engatar o meu amigo Miguel (um génio da matemática) para programar enquanto eu só me ocupava da parte relativa ao totobola, futebol e probabilidades.
Depois comecei a namorar com a minha Babe e a febre dos computadores abrandou. O programa do totobola esquecido e o que eu queria era foder, foder.
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Capítulo 2 - Mas um dia... veio a net.
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A minha entrada aparatosa no mundo virtual da internet deu-se no século passado numa tarde dum dia feriado 5 de Outubro dum ano que já não me recordo qual.
Estava eu no clube recreativo cá da terra, quando fui injustamente acusado pelo meu sogro de não saber jogar dominó, mais concretamente ao Belga.
Chateado, afastei-me da mesa de jogo, segurando um panachê numa das mãos e saquinho de amendoins na outra. Fui ter com o meu primo Albino (Bino para os amigos) que estava no andar de cima. Na época, o cachopo era responsável pelo cyber café do clube, desde que a junta de freguesia para lá tinha mandado uns computadores.
Então, resolvi aventurar-me:
-- Ó primo, explica-me lá como é essa coisa da internet.
O sacana do puto, que sempre foi de poucas palavras, só mandou escolher um nome e a seguir disse-me para escrever o que eu quisesse ou então, que fosse respondendo às perguntas que fossem surgindo por escrito no ecrã.
Foi assim que este que vos escreve, Bino do Abrupto (eu próprio) sem saber, entrou de forma completamente ignorante numa coisa chamada IRC, no canal #Lesbicas, com o nick “Completamente”.
Passadas umas 3 horas, rapidamente fiquei desconfiado que do outro lado, quem estava a teclar comigo não seriam lésbicas nenhumas, mas a julgar pela conversa, concerteza alguns gajos tarados em busca de paródia e que, para o efeito, se faziam passar por mulher.
Desiludido com aquela imoralidade decidi abandonar a experiência. Perguntei ao meu primo se não existiriam outros canais e se podia alterar o nick. Existiam outro canais, claro, e também podia escolher outro nick se quisesse. Mudei de nick e de facto, acabei por descobrir canais que achei muito mais interessantes, por exemplo o #30-50 e o #Bondage..
E foi assim, que durante dois ou três anos, o bom do Bino com nicks que desejo não revelar aqui (Ab_Michelo) , se tornou um verdadeiro profissional do IRChat.
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Por sorte, apercebi-me dos perigos que o IRC encerra, de modos que encarei aquele mundo virtual como uma espécie de laboratório para o estudo da natureza humana e das suas tentações. Foi portanto, com propósitos científicos e de estudo intelectual que se revestiu a minha passagem pelo mundo do chat, no IRC da Ptnet.
Refira-se que jamais me passou pela cabeça aproveitar-me das fraquezas alheias, ou mesmo próprias, para “pular a cerca” dos deveres de fidelidade matrimonial.
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Reconheço no entanto, que a internet, sob variadíssimos aspectos, pode representar um perigo tremendo para a estabilidade emocional de indivíduos normais que não disponham duma força mental excepcionalmente forte como a que eu tenho. A tentação é grande, ou costuma ser, a menos que se tenha o azar de só calhar conhecer raparigas da zona de Braga exclusivamente dispostas a práticas sado-masoquistas do género, querer enfiar-nos um vibrador pelo nosso próprio ânus acima, dar-nos com a chibata e coisas ainda piores. Reconheço que em casos assim, é fácil passar ao lado das tentações e dizer NÃO ! Ser macho, é isto mesmo, é dizer “não” sem hesitações a propostas deste estilo.
Mas não só... ser macho pode implicar saber resistir e dizer “não” a tentações sexuais ou de natureza sentimental, que ponham em causa a nossa integridade familiar (que desejamos preservar), que nos impeçam de andar de consciência tranquila, que possam destruir o nosso projecto de vida em troca de 3 ou 4 minutos de fugaz prazer sexual.
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Suponho que a todos nós a partir do momento em que casamos (ou nos juntamos) nos surge a pergunta: “e agora ... fiel ou infiel ? Nunca darei umas “facadinhas” no matrimónio ? Vou comer do mesmo até ao resto da minha vida ? ”. A resposta obviamente é, SIM !
Sim, deveremos comer sempre do mesmo enquanto o casamento durar, enquanto a nossa mulher for a nossa amada até as punhetas deverão ser batidas com ela no pensamento. E na realidade assim costuma acontecer, vamos comê-la por toda a vida, só que muito menos vezes do que em solteiro, especialmente depois de nascerem as crianças. Mas é isto a vida sexual da maioria dos casais modernos com filhos: um prolongado vazio salpicado por raras “rapidinhas”. Contra esta vida de miséria sexual (como lhe chamou Alberoni ) que fazer ?
--Nada ! -- Digo eu, ou como diria António Vitorino, “habituem-se !”
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Finalmente, cansado de desperdiçar o meu tempo no IRC, foi com alegria que me retirei dessa actividade e ingressei no excitante mundo da blogosfera.
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Capítulo 3 – Os Blogs
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a) Balanço do 4º aniversário.
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Em 2001, não conhecia nenhum blog português, mas apercebi-me do fenómeno através de blogs brasileiros (alguns hospedados em Portugal). Imediatamente me apercebi do potencial dos blogs e foi sem hesitação que fundei o meu primeiro blog faz agora 4 anos.
Comecei a escrever para brasileiros porque em 2001, quando em Portugal ainda muito poucos sabiam o que era um blog, no Brasil vivia-se uma verdadeira explosão do fenómeno blog.
Portugal, como é costume em tantas coisas, apanhou a onda 2 anos depois em relação à maioria do mundo civilizado. Mas tanto atraso não impediu que a fação mais intelectualoide da nossa blogosfera, se pavoneasse arrogantemente em entusiásticos posts e até artigos de jornal, como se tivesse acabado, ela própria, de inventar os blogs, ou descoberto a pólvora. Na realidade, longe de estar na vanguarda do fenómeno blog, Portugal aderiu tarde, com fracos conhecimentos de HTML e com a particularidade de não entender que a força do blog provém da novidade. Novidade de autores, de temas, de forma de escrever e de estar. A blogosfera portuguesa mais destacada, com raríssimas excepções, não trouxe novidade -- trata-se dos mesmos a escrever o mesmo, para os mesmos lerem.
Resumiu-se à vinda para a blogosfera daqueles que já antes escreviam em papel. Fraca novidade, mas ao mesmo tempo sintomático da forma típica de ser português e da forma genial como costumamos estragar o que em princípio poderia ser bom.
Um dia, no futuro, será interessante analisar a mentalidade destas elites do Portugal de hoje, através da leitura dos seus blogues. Será possível perceber a razão pela qual havendo uma elite que se julga tão esperta, tão inteligente, tão culta, tão bem pensante, tão politicamente correcta, porque razão Portugal não passa nunca dum pobre país sempre classificado na cauda da Europa em todos os índices de progresso e desenvolvimento.
Naturalmente uma blogosfera assim fechada, nunca me atraiu. Daí que este blog “Abrupto Sexual” mais não tenha sido do que uma pequena experiência para perceber se finalmente já existiria em Portugal gente em número suficiente para proporcionar um outro tipo de blogosfera, arejada.
Já vão existindo muitos e bons blogueiros, sim. As coisas começam a melhorar, mas por vezes sinto que ainda por aqui aparecem totós que não entendem este blog.
É natural. Este é um blog que goza não com o Portugal Pimba, como possa parecer, mas sim com o Portugal intelectualoide... saloiamente intelectualoide, entenda-se.
E porque este é um blog para gente inteligente, onde as coisas quase nunca são o que parecem, que individuos como aqueles cujos blogs linkei ali na coluna da esquerda, apelidando-os de melhores do mundo, para mim são pessoas preciosas e raras nesta blogosfera infestada de snobs.
Mas confesso que ainda me bate a saudade de outros lugares. Tenho saudades da blogosfera brasileira.
Ainda hoje suponho que sou o blogueiro português mais lido no Brasil. Sinto-me muito bem lá, as pessoas são talentosas, escrevem excelente blogs e não se fecham por não me conhecerem de lado nenhum, nem por não pertencer à sua “tribo”. Enfim, mentalidades diferentes...
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b) Anonimato.
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Desde o início sempre tive o cuidado de assinar os meus posts com um nickname e nunca divugar o meu verdadeiro nome. Trata-se duma medida que visa proteger-me (especialmente quando se trata de lidar com portugueses) e não, de utilizar o anonimato para atacar ou insultar os outros. Suponho que a minha simples presença na blogosfera com este blog de luxo é já, por si, um insulto suficiente para aqueles que me dão náuseas (a cáfila de snobs que acha chique ter um blogue, sem sistema de comentários e se entretem a escrever banalidades sobre política, sociologia, literatura e outras porras do género).
Na mesma linha de cuidados anónimos, também não divulgo nenhum endereço de e-mail. Para além de me proteger de spammers, de me proteger de brincadeiras parvas, a verdade é que não estou interessado em receber mails de ninguém, especialmente conhecidos e amigos meus.
Para além disso, evito participar em encontros e jantares de blogueiros. Já me basta ninguém nunca se sentar ao meu lado quando viajo em transportes públicos, tipo autocarro, porque razão haveria de ir a sítios longe de casa conviver com gente mais estranha que eu ?
Na mesma linha de pensamento, suponho que nenhum de vós levará a mal se vos disser que as minhas fotos que aqui publiquei, foram “ligeiramente” retocadas/melhoradas para que a singularidade do meu rosto não provocasse sustos a ninguém.
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c) Adeus, ou até já.
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Enfim, fico com a sensação de que este magnífico blog poderia ter sido melhor se por ventura eu tivesse feito a 1ª classe.
Sim, também poderia ter escrito uma série de posts sobre Ulisses de Joyce, numa demonstração da minha vasta cultura, se por acaso tivesse tido a pachorra de ter visto o filme até ao fim.
Sim, confesso que fui o autor moral do fim do blog “Gato fedorento” (hilariante template em tons de verde), quando expliquei aos bravos rapazes que, da mesma forma que as putas não devem dar borlas aos clientes, por ser mau para o negócio, também aqueles que escrevem profissionalmente não devem esbanjar talento e dinheiro, escrevendo à borla em blogues. Quem quer bom, que pague !
Sim, confesso que não entendo os blogs como uma forma de arte ou jornalismo. Rio-me dos que pensam isso.
Finalmente: Sim, estou a pensar dedicar-me a outro estilo de blog, ou talvez não. Mas concerteza noutro local. Procurem-me talvez me encontrem.
Para portugueses, quem sabe um dia volto a escrever aqui...
Se um dia estiverem preparados para mim. É que isto sem amigos não tem piada.
Hasta la vista !

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